25 de mai. de 2011

Candomblé na Literatura

"Literatura do Sul da Bahia em destaque na Biblioteca Pública do Estado"


Publicado em 24/05/2011 pelo Repórter Carlos Souza, Salvador - BA
Cyro de Mattos participa do projeto Encontro com o Escritor e Ruy Póvoas do Seminário Novas Letras.

Esta semana, os soteropolitanos poderão conhecer um pouco mais da literatura produzida no Sul da Bahia, mais precisamente da cidade de Itabuna, através da participação de dois escritores, que virão a Salvador para participar de atividades promovidas pela Fundação Pedro Calmon/ SecultBA, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris). A região onde nasceu Jorge Amado, nome mais popular da literatura baiana, será representada pelos escritores Cyro de Mattos e Ruy Póvoas.
Na quinta-feira, dia 26, às 15h, Cyro de Mattos é o convidado para o projeto Encontro com o Escritor, quando na oportunidade falará sobre seu trajeto literário, seu processo de criação no conto, crônica, poesia, livros infanto-juvenis e organização de antologias. Outros aspectos da prática literária não ficarão de fora do bate-papo, como as dificuldades que enfrentam os escritores da Bahia. 

Já na sexta-feira, dia 27, às 14h, a obra de Ruy Póvoas será analisada por especialistas no Seminário Novas Letras, que terá como tema A religião do candomblé: percurso da resistência no Sul da Bahia. O evento trará para foco principal histórias relacionadas ao escritor e babalorixá, Ruy Povoas, símbolo da resistência do candomblé no Sul da Bahia, através da autoria de instrumentos críticos teóricos e metodológicos sobre o tema. O próprio sacerdote abrirá o evento falando sobre sua publicação O feminino e a resistência no candomblé. Também são conferencistas do seminário as professoras Valéria Amim, Maria Luiza Nora, e Margarida Cordeiro Fahel.

Escritores - Cyro de Mattos nasceu em Itabuna, cidade da região cacaueira da Bahia, em 1939. Advogado aposentado e jornalista com passagem na imprensa do Rio de Janeiro. Poeta, contista, cronista, autor de livros infanto-juvenis e organizador de antologia. Já publicou 38 livros, entre eles, “Os Brabos”, contos, que lhe deu o Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, e “O Menino Camelô”, poesia infantil, Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes. Com o livro “Cancioneiro do Cacau” conquistou o Prêmio Nacional de Poesia da União Brasileira de Escritores, e o Segundo Prêmio Internacional de Poesia em Gênova, Itália. Finalista do Prêmio Jabuti três vezes, está presente em 48 antologias, no Brasil e exterior. Participou como convidado Feira do Livro de Frankfurt, em 2010. Pertence à Academia de Letras da Bahia e atualmente é o diretor-presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania. 

Ruy Póvoas nasceu em Ilhéus, em 1943. Além de poeta, é Mestre em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integra a Academia de Letras de Ilhéus. É autor de Vocabulário da Paixão (1985), A Linguagem do Candomblé (1996), A fala do santo, VersoReverso, Da porteira para fora, A memória do feminino no candomblé, Itan dos mais-velhos. Atualmente, é coordenador do Kàwé - Núcleo de Estudos Afro-Baiano Regionais da UESC e editor da revista Kàwé. 

SERVIÇO:

O quê: Encontro com o Escritor com Cyro de Mattos / Seminário Novas Letras com Ruy Póvoas
Quando: Dia 26 de maio (quinta-feira), às 15h e 27 (sexta-feira), às 14h. 
Onde: Na Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris) – Salvador 
Entrada: Gratuita 
Informações:             71 3117-6084      


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Assessoria de Comunicação
Fundação Pedro Calmon – SecultBA
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A GRANDE CONSAGRAÇÃO

Casamento no Candomblé acontece pela primeira vez em Campo Grande
     Quarta, 25 de Maio de 2011 
Pela primeira vez em Campo Grande é realizado um enlace matrimonial de acordo com os preceitos da religião de matriz africana, o Candomblé. A cerimônia foi realizada no último dia 14 de maio, no templo religioso denominado Ilè Dará Agan Oyá Asé Elegbara Omodé, dirigido pelos sacerdotes Mãe Zilá de Oyá e Pai Lucas de Odé e foi ministrada pelo Babalorixá Carlito de Oxumarè, do Ilè Olá Omi Asé Opò Araká, do Estado de São Paulo.

Após 25 anos de união, o jornalista Luiz Junot e a psicopedagoga Zilá Dutra, ambos devotos ao Candomblé, fizeram os votos matrimoniais.
O ritual precedeu as tradicionais comemorações anuais em reverência a Oyá e Odé, os deuses africanos das tempestades e da caça, da fartura e prosperidade, respectivamente. Em meio ao público presente estiveram diversos membros da sociedade e da comunidade candomblessista de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso.

O presidente da Federação de Cultos Afro-brasileiros e Ameríndios de Mato Grosso do Sul (Fecams), sacerdote de Umbanda Irbs, também esteve presente no evento e destacou a importância da cerimônia. “Foi uma cerimônia belíssima e de extrema importância para as religiões de matriz africana, de modo a disseminar nossa cultura para toda a sociedade”, destacou.

Para o Babalorixá Carlito de Oxumarè, que presidiu o ritual, o acontecimento rompeu as fronteiras geográficas do Candomblé. “Além de mostrar que o Candomblé, ao contrário do que se pensa, encontra-se muito bem instalado fora do eixo Bahia - São Paulo - Rio de Janeiro, conseguimos mostrar a toda a sociedade que o povo de santo tem uma cultura abrangente e completa, somos sacerdotes tanto quanto os de qualquer outra religião, temos em nossa cultura rituais para casamentos, batizados, rituais fúnebres, entre tantos outros”, ressaltou.

O Candomblé na Imprensa - Em abril de 2008 o casamento do jornalista da Rede Tv! Felipeh Campos, 34, e do produtor de moda Rafael Scapucim, 26, ganhou as manchetes dos veículos de comunicação de todo o Brasil. Naquela ocasião a cerimônia foi realizada pelo Babalorixá Cido de Oxum, e teve grande repercussão na imprensa nacional, quebrando os paradigmas sociais por unir um casal homosexual nos preceitos da religião de matriz africana, o Candomblé.

No decorrer da cerimônia o Babalorixá Cido disse: "A partir de hoje a história será outra, quando as pessoas abrirem as páginas dos jornais e verem que dois iguais se casaram, elas vão entender, e vai haver mais respeito".

Colaboração: Jornal A Crítica de Campo Grande (MS)