21 de set. de 2011

A VOZ AFRO-BRASILEIRA NO ROCK IN RIO


"O meu terreiro é o palco", diz Milton Nascimento
21 de setembro de 2011  13h56  atualizado às 17:00


Milton Nascimento se apresentará no Rock in Rio. Foto: Anderson Borde/AgNews
Milton Nascimento se apresentará no Rock in Rio
Foto: Anderson Borde/AgNews


Em entrevista à revista QUEM, que chega às bancas nesta quarta-feira (21), o cantor Milton Nascimento falou sobre seus afilhados. "São 118. Se um pai chega com o filho e pede que eu batize, nunca digo não. Tenho afilhados no candomblé, espiritismo, catolicismo e budismo", declarou.
Com 68 anos de idade, o cantor relembrou uma das apresentações que fez na época da ditadura militar e disse ter sentido a presença de Deus. "No meio do show, apareceu, do nada, uma luz amarela muito forte da plateia. Víamos o brilho dos olhos das pessoas. Falei: 'Poxa, como é que posso ser tão burro? O meu terreiro é o palco'. Desde então, o palco é a coisa mais importante da minha vida".
No dia 23, Milton subirá ao palco do Rock in Rio para a fazer a abertura do evento. Durante a entrevista, ele contou que os três minutos de silêncio pela paz mundia o emocionou na edição de 2001 do festivall. "Quase caí do palco. Mexeu tanto comigo que ia cantar Imagine, do John Lennon, mas não estava aguentando, chorava mesmo. Entrei no camarim e James Taylor e Sting começaram a me acalmar", lembrou.
Ele disse também que já sentiu inveja de Paul McCartney por ter tido a ideia de usar ébano e marfim nas teclas do piano, representando a integração racial, na música Ebony and Ivory. "Um dia, estava em casa e começou a tocar no rádio. Fui prestando atenção à letra e, no fim, tive vontade de quebrar o piano ou me quebrar. Fiquei uma fera, queria ter feito aquela música, inveja total", comentou.

AS BOAS NOTÍCIAS


Para o Candomblé, a 8ª Noite de Oração pela Paz, que acontecerá no dia 21, sintetiza a necessidade de união entre as religiões em busca de um bem comum, a paz.
O Candomblé é uma das oito religiões que participam do evento e integram o Grupo de Diálogo Inter-religioso (GDI) de Maringá, fundado em março de 2007.
"Como todas as religiões, nós buscamos a paz. Unindo-se, as religiões mostram que o povo deve se unir também", diz Maria de Lourdes Nascimento, a Mãe Lourdes, representante do Candomblé no GDI.

Arquivo/DNP
Para Mãe Lourdes, evento do dia 21
ajuda a vencer o preconceito
"Somos todos filhos de Deus, da Mãe Natureza e da Mãe Terra, então somos todos irmãos", sintetiza.

Na avaliação dela, o evento além de buscar a paz, é uma oportunidade de as pessoas conhecerem o Candomblé. "É bom saber que estamos sendo aceitos e vistos com mais humanidade e menos preconceito. O Candomblé sofre preconceito e, assim, temos a oportunidade de mostrar que, como todo mundo, lutamos pela vida, pelo amor no mundo, pela paz. Se quisermos ter um mundo sem guerras é preciso que exista a paz entre as religiões", afirma.
Na Noite de Orações pela Paz, o Candomblé versará sobre a paz interior. O tema mostrará que os homens devem, em primeiro lugar, ter paz dentro de si para depois irradiá-la entre todos os povos.
"No GDI, temos a oportunidade de conhecer a outras religiões e debater temas importantes como a paz. Temos também a oportunidade de transmitir ao povo que a união faz parte da mudança mundial para melhor", completa Mãe Lourdes. Para ela, o evento do dia 21 alcança seus objetivos. "A cada ano, temos mais pessoas participando", observa.