1 de mar. de 2018

O "ocultismo do preconceito"!



As vozes silenciosas da discriminação!
Chega! Não dá mais para calar!


Justiça impõe regras para cultos de Candomblé em MGp
Foto: Agência Brasil. Informações do site Brasil de Fato.



Representantes e praticantes das religiões de matriz africana realizaram um protesto, na última terça-feira (18), contra a intolerância religiosa. Vestidos de branco, eles se posicionaram em frente ao Ministério Público e pediram por respeito às tradições da cultura afro-brasileira.
O caso que culminou na manifestação diz respeito a uma imposição da Justiça de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que estipula dia, horário e como devem ser realizados os cultos em um terreiro de Candomblé da cidade.
De acordo com as novas regras, a casa poderia executar as atividades somente nas quartas-feiras e em um único sábado do mês, utilizando apenas um atabaque. Caso as normas não sejam cumpridas, o terreiro está sujeito a multa diária de R$ 100. O documento proíbe, inclusive, a prática de cultos silenciosos fora das datas.
O que reivindicamos é simplesmente a igualdade de tratamento. A promotoria pública foi preconceituosa, discriminatória. Pensa que é Deus e fala como, quando e a hora que podemos rezar. Estamos lutando por um direito nosso“, afirma a diretora do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), Makota Celinha.
Contra a medida, uma reunião foi realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com a presença do Procurador Geral de Justiça de Minas, Antônio Sérgio Tonet, do secretário de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), Nilmário Miranda, e representantes das religiões de origem africana.
No encontro, Tonet e Nilmário se comprometeram a negociar a suspensão da medida. Além disso, será organizada uma audiência pública com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e o Ministério Público para tratar do assunto. O Cenarab também ajuizou uma ação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para barrar a imposição.

Mostra Fotográfica na Bahia

Exposição fotográfica "Aféto" revela as relações de afeto nos terreiros de Candomblé na Bahia  (Foto: Roger Cipó/Divulgação)
Exposição fotográfica "Afeto" revela as relações de afeto nos terreiros de Candomblé na Bahia (Foto: Roger Cipó/Divulgação)

A exposição fotográfica "AFETO", do fotógrafo paulista Roger Cipó, foi aberta ao público no dia 23 de janeiro, às 18h, na Casa do Benin, localiza no Pelourinho em Salvador. Com a entrada é gratuita.
A mostra revela as relações de afeto nos terreiros de candomblé, a partir do olhar do fotógrafo. A curadoria é de Marco Antonio Teobaldo.
A exposição fica disponível para o público até 3 de março, de segunda a sexta, das 10h às 17h, sempre com entrada gratuita.
Ao percorrer dezenas de terreiros no estado de São Paulo e Rio de Janeiro, e vivenciar as diferentes manifestações de fé afro-brasileira, Roger Cipó registrou imagens que revelam a interação dos fiéis, como uma família ao redor das obrigações sagradas, e durante as cerimônias, quando os orixás manifestam o afeto por meio de sacerdotisas e sacerdotes.

SERVIÇO

Exposição AFETO na Casa do Benin
Abertura: 23 de janeiro de 2018 - 18H
Visitação: 24 de janeiro a
03 de março de 2018 – de segunda à sexta, das 10h às 17h.
Rua Padre Agostinho Gomes, 17 - Pelourinho - Salvador- fone: (71) 3202-7890
Gratuita

22 de abr. de 2014

Religiões não celebram a Páscoa!

Créditos: Gabriel Tôrres/CT

Espiritismo e matrizes africanas 

Religiões veem de diferentes formas o feriado nacional no período da Páscoa
Autor: Lyza Freitas
Créditos: Gabriel Tôrres/CTCatólicos e batistas baseiam-se na BíbliaCatólicos e batistas baseiam-se na Bíblia
O período da Páscoa está incluído no calendário oficial brasileiro, sendo considerado feriado nacional pelo fato de o País ter maioria católica, que tem o costume de cultuar e enaltecer o calvário de Jesus Cristo, incluindo sua morte e ressurreição, celebrada todos os anos na Semana Santa, pela tradição. Mas outras religiões têm distintas formas de encarar a data.
Para os cristãos protestantes da Igreja Batista, a Páscoa significa a morte e a ressurreição do profeta Jesus Cristo, simbolizando a chegada da paz e libertação, que surge para tirar as pessoas do pecado, assim como na Católica. Contudo, a Igreja Batista ela traz diferenciações da visão encarada pelo cristianismo católico.
Os protestantes batistais relacionam o período da Páscoa à passagem do Êxito, descrita no Antigo Testamento da Bíblia. “Para os batistas, ela representa também o livramento dos nossos pecados, porque para que haja remissão, tem que haver morte e depois a ressurreição”, explica Ideilde Gomes, missionário da Congregação Batista Testê Mani.
O missionário diz que o entendimento também está relacionado às citações bíblicas do êxodo do povo Hebreu para o Egito, por ser considerado, na visão da religião batista, um povo escolhido por Deus para cumprir uma missão. “Para os batistas, Deus usa Moisés para libertar o povo Hebreu da escravidão no Egito, querendo fazer entender que essa libertação é sinal de vida nova para o povo, e por isso tem essa conotação de renovação do espírito."
Ideilde Gomes, missionário da Congregação Batista. Créditos: Gabriel Tôrres
Em relação aos costumes vivenciados na Semana Santa, Ideilde explica que embora a Páscoa faça parte do calendário nacional, os batistas não costumam festejá-la ao mesmo modo dos católicos. Não há no cronograma anual nenhuma atividade especial pela passagem da Páscoa, porque, apesar de representar um rito importante, ele é visto com a mesma relevância de outros.
“O nosso cronograma segue o ritmo anual normalmente, com a realização de cultos. Só que nesse período, nós costumamos apresentar, debater e refletir acerca da morte e ressurreição de Jesus, até para que os irmãos entendam e conheçam melhor sobre a sua religião. Além do que, como é feriado, é de costume muitos saírem para retiros espirituais a fim de estudar a Palavra." 
Também não há a abstenção quanto a comer carne vermelha, nem a outros alimentos, pois para a congregação, na Bíblia está claro que é preciso respeitar a vontade e o direito do outros de se alimentar como tenham vontade, sem se fazer julgamentos sobre o que as pessoas comem ou deixam de comer, de acordo com o esclarecimento de Ideilde.
Matrizes africanas
Diferente das igrejas católicas e batistas, para as religiões de matrizes africanas, como a Umbanda, o Candomblé e a Quimbanda, a data não é confraternizada da mesma forma. É um momento de celebração da vida, da existência do ser humano e de fazer o bem, como em todos os outros dias.
“Procuramos trocar saberes, usar os dias de feriado para ficarmos mais próximos uns dos outros", explica Maria Assunção, coordenadora do Grupo Coisa de Nêgo. "Temos os costumes de valorizar os seres humanos, festejando a vida entre nós, como uma forma de nos fortalecermos como humanos e como religião, sabendo da importância das nossas raízes, de Oxalá e da sua palavra.”
Comparando com o catolicismo, as religiões de matrizes africanas, veem Oxalá como se fosse Jesus Cristo, e Olorum como se fosse Deus todo poderoso. Enquanto católicos e cristãos celebram o período pascal, o Candomblé busca um maior contato com Olorum, munido da certeza de que no plano terrestre a missão dos humanos é fazer o bem.
Religiões de matrizes africanas não celebram Páscoa. Créditos: Gabriel Torres
O objetivo diário, segundo Maria Assunção, é refletir sobre a vida e a passagem na terra, e fazer com que todos possam compreender que precisam ser felizes. “Nos terreiros, como em outras datas, é um momento de festejar, de dizermos que somos importantes por sermos filhos de Olorum."
Continua Assunção: "é um momento de fazermos diferente na busca incessante por um mundo melhor e com mais amor, um momento de estarmos mais perto da nossa espiritualidade”. Ela explica que não há Páscoa como referência nos princípios do Candomblé, religião que anseia o Axé a todos, ou seja, deseja força, energia positiva, bons fluidos.
O Candomblé procura também estar totalmente conectada com os elementos da natureza e com o meio ambiente.
No espiritismo
A doutrina ou religião espírita também não reconhece a Páscoa em sua filosofia. Os espíritas veem a Sexta-Feira Santa como um dia qualquer, em que realizam suas atividades normalmente, como também não cultuam qualquer outro dia considerado santo no Brasil. Isso porque a rotina doutrinária considera e sempre aborda o Deus vivo, descrucificado.
Para ela, não importa o Deus morto, sofrido, mas a adoração ao Cristo vivo, desconectado da cruz. “Respeitamos as outras religiões, e entendemos que todas têm as suas tradições e costumes. Portanto, já que o calendário estabelece o feriado, nós geralmente aproveitamos a data para promover eventos", informa José Lucimar, presidente da Congregação Espírita. "Neste ano, estamos fazendo o 1º Acampamento para Jovens Espíritas", acrescenta. 
Os princípios do espiritismo têm cunho científico-filosófico-religioso, e se voltam para o aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação com os espíritos através do fenômeno da mediunidade. Ela busca melhor compreensão não apenas do universo tangível (científico), mas também do universo transcendental (religião), fundamentando-se na figura de Jesus Cristo.

Realização de um Sonho!

Grupo Afoxé Omô embarca nesta terça para se apresentar em festival dos Estados UnidosO New Orleans Jazz & Heritage Festival é um dos eventos de música mais importantes do país!

Publicação: 22/04/2014 09:42


Respeitados em festivais culturais locais, 15 integrantes viajam pela primeira vez para fora do país. Foto: Fundarpe/Divulgação
Respeitados em festivais culturais locais, 15 integrantes viajam pela primeira vez para fora do país. Foto: Fundarpe/Divulgação

A rotina se tornou mais intensa na sede do Afoxé Omô Nilê Ogunjá, uma representação de matriz afro-brasileira encravada no Ibura, no Recife. Os ensaios ficaram mais frequentes desde a proximidade da primeira viagem internacional do grupo, marcada para a noite desta terça, às 21h.

Até o feriadão da Semana Santa cedeu espaço para afinar o som e a dança com os quais os integrantes se fizeram vistos e respeitados na comunidade onde o grupo foi fundado, há dez anos. Quinze dos quase 40 membros fixos embarcam rumo aos Estados Unidos para participar de um dos mais significativos eventos musicais do país, o New Orleans Jazz & Heritage Festival, dentro de uma programação com lendas internacionais do calibre de Eric Clapton, Christina Aguilera, Santana e Bruce Springsteen. Serão sete dias de apresentações para mais de 400 mil pessoas - público estimado da edição de 2013.

O convite ao grupo pernambucano partiu de um representante do evento norte-americano durante o 8º Festival Lula Calixto, realizado no ano passado, em Arcoverde. O ritmo carregado de religiosidade atraiu o olhar estrangeiro. “Quando ele nos viu, disse que tínhamos elementos ligados à música de Nova Orleans”, conta o diretor-geral do Afoxé, Dario Junior. A ponte entre os estilos musicais das duas localidades é inegável.

Identidade

O Afoxé Omô nasceu, diz o dirigente, como porta-voz do candomblé cultuado nos arredores do Ibura. Era uma forma de peitar, através do emprego da arte, o racismo e o preconceito contra a expressão religiosa de origem negra. O trabalho artístico andou de mãos dadas a oficinas, palestras, debates sobre raça, identidade, gênero e a outros mecanismos de inclusão social.
Na outra ponta, a cidade de Nova Orleans é considerada berço do jazz norte-americano, gênero associado à comunidade negra. O início do festival em 1970 - hoje ele está na 45ª edição - contou com a participação de Mahalia Jackson, ícone da música gospel dos Estados Unidos e uma das vozes ouvidas no histórico discurso de Martin Luther King pela igualdade entre negros e brancos (o famoso Eu tive um sonho…).

“Ir para Nova Orleans é a consequência do nosso trabalho”, observa Dario Jr, também membro do Conselho Municipal de Promoção à Igualdade Racial do Recife. Em solo norte-americano, o grupo deve mostrar as composições recentes incluídas no álbum Odara (2014) e outras sobre o povo negro capazes de dialogar com a plateia do evento. A cantora Nalva Silva está animada com a vitrine internacional para o grupo: “É muito boa a chance de levar o trabalho para fora do país.


Principalmente no berço da cultura negra. Uniu o útil ao agradável”. Integrante do Voz Nagô e Batucafro, ligado ao percussionista Naná Vasconcelos, ela é pedagoga em duas escolas públicas e, assim como outros integrantes do Afoxé, utiliza o conhecimento profissional a favor da formação da comunidade do Ibura. Nos EUA, serão 50 minutos em cada uma das apresentações - com direito a troca de figurino - marcadas para os dias 25, 26 e 27. Grupos de Minas Gerais, da Bahia e de outros estados também representam o Brasil no festival.

 (Fundarpe/Divulgação)

Omônilê

História

O Afoxé Omô Nilê Ogunjá (filho da casa de Ogunjá) surgiu em 2004, no Ilê Axé Babá Olufã, no Ibura. O grupo se vale de ações artísticas para dar voz às bandeiras religiosas e sociais defendidas pelos integrantes.

Grupo chega a ter 120 integrantes durante o carnaval. Em 2012, abriu a festa no Recife, no Marco Zero. Em 2013, participou do Festival de Inverno de Garanhuns.

Produção

O Afoxé possui dois discos gravados: Berço dos Ancestrais (2008) e Odara (2014)

Dois documentários ajudam a contar a história do grupo: Ikimòjadé (2011), sobre o batismo pelo Afoxé Filhos de Gandhy, um dos maiores do país, e Sou eu (2012), com a trajetória da instituição e a relação da comunidade com a religiosidade de matriz africana. Ambos disponíveis na íntegra no YouTube.

Reconhecimento Religioso

Prefeitura de Socorro apoia 3º Afoxé de Odé do município 

Na tarde desta segunda-feira, 21, os adeptos do Candomblé comemoram o 3º Afoxé de Odé, como parte das festividades a Oxóssi, que no sincretismo religioso é chamado de São Jorge. O cortejo com a imagem do Santo saiu da frente do Shopping, no Marcos Freire I, e foi até a avenida principal do Marcos Freire II. Na ocasião, o diretor de Tributos, Maurício Lobo, representou o prefeito Fábio Henrique.

A idealizadora da festa, a mãe de santo, Sílvia de Oxum Abará, destacou a comemoração. “Esse é nosso terceiro ano e estamos muito felizes em realizar mais uma vez com a parceria da prefeitura de Nossa Senhora do Socorro, agradeço ao Prefeito e secretarias envolvidas. Nosso Afoxé de Odé é em  celebração ao dia de Oxóssi que é comemorado dia 23. Nossa intenção é colocar esse dia no calendário de festas do município”.

Pela terceira vez no evento, a Ialorixá Mãe Vânia veio de Aracaju e destacou a importância de divulgar a religião do Candomblé. “São três anos de festa e três anos que participo. Hoje estamos muito felizes em mostrar a sociedade que também temos nossa fé e é muito importante que ela seja propagada”, declarou.

A prefeitura apoiou a festa por meio da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT); da Secretaria de Saúde, com a presença do SAU; Guarda Municipal; Secretarias de Assistência Social, Transporte, Comunicação e Governo.

Também participaram do 3º Afoxé de Odé, os secretários de Planejamento, Gledson Oliveira, e de Educação, Carlos Cunha.

26 de mar. de 2013

ESTAMOS de VOLTA...

Após termos ficado afastados desde Dezembro, estamos voltando com força total, onde a partir de hoje, desprenderemos os nossos esforços, para que você leitor possa estar sempre com as notícias em primeira mão, no que diz do mundo afro-religioso.
Essa é a nossa meta e compromisso, desde que ingressamos com essa página eletrônica, portanto, fique sempre alerta às novidades que vão pintar por aqui.

Desde já, agradecemos a você que nos acompanha diariamente.

Ajude-nos na divulgação deste blog, e colabore com suas notícias também.

Abraços carinhosos da direção!!!

Aluno acusa professora e diretor de homofobia e discriminação religiosa


A Secretaria Estadual de Educação de Roraima investiga a acusação de um estudante de 17 anos que afirma ter sido ridicularizado por uma professora e pelo diretor da escola por ser homossexual e adepto do candomblé.
 
O caso ocorreu no dia 13 de março último, na Escola Estadual de Primeiro Grau Prof. Antônio Carlos Natalino, em Boa Vista, e foi denunciado por Vera Aparecida de Souza, que se diz "tia de criação" do adolescente M. H. O..

Segundo o relato de Vera, que é zeladora de orixá – líder espiritual do candomblé –, o jovem foi repreendido pela professora por estar com as pernas cruzadas e com um telefone celular sobre a carteira. Após uma discussão, a docente teria dito "vocês todos são nojentos", se referindo à religião e à orientação sexual do aluno diante dos colegas de classe.

O caso foi levado então ao diretor da escola, que teria lido a bíblia para o estudante, dizendo que ele deveria "aceitar Jesus". "Fui falar com o diretor, porque a mãe dele [do aluno] é muito idosa, mas ele nem quis me ouvir, gritou muito e me deu um encontrão. Denunciei ele à polícia e reclamei na secretaria de educação", disse Vera.

Desde então, o aluno não teria conseguido voltar à escola por causa da humilhação, segundo a religiosa, que afirmou já ter conseguido uma vaga para ele em outra unidade.

Procurada, a Secretaria de Educação, Cultura e Desportos de Roraima disse que o estudante denunciou o caso à ouvidoria do órgão, que ouviu os funcionários e agora colhe os depoimentos dos alunos.

A reportagem tentou contato com a família do estudante nesta segunda-feira (25), mas não obteve sucesso até o fechamento desta matéria.

colaboração: rondoniadinamica.com

13 de dez. de 2012

Foto: Kleidir Costa/SPM
Entrada do Terreiro Ilê Axé Ayrá Izô, em Brotas

O governo do Estado deverá solicitar à Justiça, nos próximos dias, a ampliação do prazo para cumprimento da sentença judicial que determina a desocupação da área do Terreiro Ilê Axé Ayrá Izô, localizado em Campinas de Brotas, em Salvador.
A informação foi dada nessa terça-feira (11/12) pelo secretário da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Almiro Sena, durante visita ao espaço religioso, juntamente com a secretária de Políticas para as Mulheres, Lúcia Barbosa, lideranças religiosas e do movimento negro.
A ida ao local aconteceu após o governador Jaques Wagner garantir que o Estado fará as intervenções necessárias em favor do templo religioso, cujo terreno é alvo de disputa judicial. O secretário Almiro Sena, afirmou que pedirá 180 dias de prazo, tempo para o governo encaminhar os trâmites de declaração de utilidade pública e desapropriação da área, se for o caso.
“Expressamos nossa disposição para garantir o direito constitucional do livre exercício de culto”, disse. “Queremos ratificar o propósito do governo de respeitar a religiosidade do nosso povo, as diferenças de raça, religião e de gênero”, reforçou a secretária Lúcia Barbosa.
Disputa
O terreno em disputa tem 878m², área que teria sido doada por Antônio Gagliano, já falecido, cujos familiares alegam direito à posse. O caso está sendo acompanhado pela 11ª Vara Cível de Salvador.
A preocupação dos movimentos envolvidos na preservação das religiões de matriz africana diz respeito ao risco de violação do direito da liberdade de crença, no espaço religioso que há décadas realiza suas atividades na comunidade.  


Colaboração: Tribuna da Bahia

3 de out. de 2012

EM DESTAQUE


Sacerdotes distribuíram nota de repúdio à atitude do vereador Amauri Colares

Os grupos de sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matrizes africanas já divulgaram, desde a quinta-feira (13), pelas 8 mil casas de candomblé e umbanda de Manaus, uma carta repudiando o informativo distribuído pelo vereador e candidato à reeleição, Amauri Colares (PSC), que destaca as ações da bancada evangélica da Câmara Municipal contra os religiosos de raízes africanas e a criação do “Parque dos Orixás”.

Manaus (AM), 30 de Setembro de 2012
LÚCIO PINHEIRO



O vereador Amauri Colares disse que manterá a distribuição do informativo
(Divulgação)


Os grupos de sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matrizes africanas já divulgaram, desde a quinta-feira (13/09), pelas 8 mil casas de candomblé e umbanda de Manaus, uma carta repudiando o informativo distribuído pelo vereador e candidato à reeleição, Amauri Colares (PSC), que destaca as ações da bancada evangélica da Câmara Municipal contra os religiosos de raízes africanas e a criação do “Parque dos Orixás”.
Para Jean Marius Clement, membro da Coordenação Amazônica da Religião de Matriz Africana e Ameríndia (Carma), a postura do vereador Amauri Colares destoa do comportamento que se espera de um homem que recebe um mandato público. 
“A gente fica indignado com tudo isso. De um homem público esperamos outro tipo de discernimento”, afirmou o pai de santo.
Intitulado de “Câmara contra Parque dos Orixá’”, o informativo nº 02, publicado em agosto deste ano, traz informações sobre o projeto de lei que visava à criação de um espaço público para a realização de manifestações religiosas do candomblé e umbanda. O projeto, de autoria da vereadora Lúcia Antony (PCdoB), não chegou nem a tramitar na Câmara Municipal de Manaus (CMM). No documento, Amauri Colares alega ser contrário ao projeto por questões religiosas.                    
 Parlamentar
O vereador Amauri Colares disse que manterá a distribuição do informativo. Segundo o parlamentar, ele não faz nada além de manifestar uma opinião, o que também é resguardado pela Constituição brasileira. O político foi denunciado ao Tribunal Regional Eleitoral e à Polícia Civil por apologia ao ódio religioso.
(A íntegra deste conteúdo está disponível para assinantes digitais ou na versão impressa). ACRÍTICA.COM

Mãe Stella comemorou 73 anos de consagração no candomblé

Mãe Stella fez parte do primeiro barco das iaôs de mãe Senhora, terceira líder do Opô Afonjá

O Ilê Axé Opô Afonjá esteve em festa. A líder religiosa do terreiro, Ìyalorixá Maria Stella de Azevedo Santos, completou 73 anos de iniciação religiosa na quarta-feira, dia 12/09.  Mãe Stella, aos 87 anos de idade, integra um seleto grupo de sacerdotisas com mais de 70 anos de consagração ao candomblé.
"O aniversário de iniciação religiosa é muito importante. É quando se nasce para uma nova vida. É renascimento", diz mãe Stella. A consagração foi feita por mãe Senhora, uma das grandes sacerdotisas do candomblé brasileiro, terceira a liderar o Afonjá desde a fundação, em 1910.
Além de mãe Stella, já somam sete décadas de iniciadas - dentre as líderes de terreiros tradicionais da Bahia -  mãe Xagui e mãe Zulmira de Nanã.  Mais alta sacerdotisa do terreiro Tumbence, localizado no Pero Vaz, mãe Xagui tem 75 anos de consagrada. Mãe Zulmira de Nanã, do Tumbenci, em Lauro de Freitas (Grande Salvador), completou 70 anos de iniciada.
História - A iniciação de mãe Stella é um dos marcos históricos do Afonjá. "Foi o primeiro barco (nome que se dá ao grupo de iniciados) colocado no Afonjá por mãe Senhora, logo após o governo da fundadora, mãe Aninha", relata o ogã José Ribamar, presidente da Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé  Opô Afonjá, a representação civil do terreiro.
Mãe Stella assumiu o Afonjá em 1976, substituindo mãe Ondina. Em 1983, ela lançou manifesto em que reafirmava o candomblé como religião e considerava o sincretismo, a associação com santos católicos, uma necessidade histórica já superada.
O manifesto foi endossado por dirigentes de outros terreiros tradicionais: mãe Menininha do Gantois, mãe Teté da Casa Branca, mãe Olga de Alaketo e mãe Nicinha, do Terreiro Bogum.
A partir de então, mãe Stella se consolidou como uma das grandes lideranças do candomblé  brasileiro. "É uma questão de herança. Herdei a missão de tomar conta dessa Casa. É trabalhoso, mas é gratificante ter a condição de servir mais de perto aos orixás, com mais responsabilidades", acrescenta.
Livros - Mãe Stella é autora de cinco livros: E Daí Aconteceu o Encanto, escrito em parceria com Cléo Martins e publicado em 1988; Meu Tempo É Agora, de 1993; Òsósi - O Caçador de Alegrias, de 2006;Owé - Provérbios, de 2007; e Epé Laiyé - Terra Viva, de 2009.
Desde março do ano passado, mãe Stella tornou-se articulista do A TARDE. Os artigos são publicados, quinzenalmente, às quartas-feiras. É a primeira vez no Brasil que uma ialorixá  torna-se articulista regular em um jornal de grande circulação.
Portal A Tarde/ Salvador, por Cleidiana Ramos

O tratamento espiritual do candomblé tem o poder de renovar a auto-estima e afastar as energias negativas de quem procura ajuda nos terreiros.


Quantos segredos escondem as conchinhas dos búzios? Como elas conseguem adivinhar as angústias da alma e até os males do corpo?
"Aqui pra mim está surpreendente a sua melhoria, tá?”, disse Elson Sena, babalorixá.
Mais uma boa notícia. Confirmação de que Ranfly está livre da tuberculose ganglionar: uma doença que ataca o sistema linfático na região do pescoço.
"Quem me conheceu antes, no período da doença e me vê hoje fica surpreso. Foi muita diferença, bastante, eu perdi muito peso mesmo, fiquei muito debilitado", contou Ranfly dos Reis, técnico em radiologia.

Durante um ano, ele seguiu à risca dois tratamentos: o da medicina tradicional, com todos os remédios indicados, e o do candomblé, com seus banhos de ervas e rituais.
"Já recebi alta do tratamento. Não tomo mais o medicamento. A tuberculose sumiu. Até a glândula que eu tinha no pescoço, enorme, não precisei operar, ela sumiu", revelou Ranfly.
O oráculo não é um simples jogo de adivinhação. O pai ou a mãe de santo devem estudar muito para entender os conceitos do candomblé. Pai Elson precisou de sete anos para completar sua formação.
Luciene foi pedir socorro porque entrou em depressão diante de uma suspeita de câncer de ovário. O pai de santo observa atentamente o que os búzios têm a dizer. E define um tratamento para ela seguir junto com as recomendações médicas.
"Três dias de banho, tá vendo? Esse aqui é o seu começo. Após cada banho você vai acender uma vela pro seu anjo da guarda, vestir roupas claras e não vai estar se expondo nas ruas, nada disso. E o primeiro banho seu vai ser lá no terreiro, e depois você começar esses daí", disse Pai Elson.
O novo caminho de Luciene começa no Mercado das Sete Portas, um dos mais movimentados de Salvador. É como se fosse uma farmácia onde se pode comprar os remédios receitados pelos orixás.
Para os sacerdotes dos terreiros, pais e mães de santo, as folhas e as ervas têm um grande poder terapêutico nos tratamentos recomendados pelo candomblé. Mas elas só funcionam se forem associadas a uma boa dose de fé. Aquela fé que encoraja, que ajuda o espírito a enfrentar as doenças.
Por apenas R$ 5, Luciene conseguiu todas as folhas da receita. Num mercado especializado como esse, dificilmente alguém vai embora sem levar tudo o que está na lista.
“O povo do candomblé consome muito isso, porque antes de fazer qualquer tipo de trabalho, a pessoa toma o banho pra poder limpar o corpo. E depois do banho vai partir para o trabalho", afirmou o comerciante Odilon dos Reis.
No dia seguinte, Luciene vai a pé para o terreiro. Ela mora na mesma cidade, Simões Filho, na região metropolitana de Salvador.
Orientada por uma filha de santo, ela segue rigorosamente todas as obrigações ritualísticas antes do banho de folhas.
Cantigas na língua dos orixás. Pipoca para afastar os maus espíritos. Durante todo o banho de descarrego, Pai Elson reza pedindo a cura.
"A partir de agora os caminhos pra ela estariam abertos, é isso?”, perguntou o repórter.
“De minha parte. Agora ela vai precisar continuar com a fé porque ela tem alguns banhos pra tomar na residência, e retornar ao médico pra repetir alguns exames que normalmente eu indico", respondeu Pai Elson.
O tratamento espiritual do candomblé tem o poder de renovar a auto-estima e afastar as energias negativas de quem procura ajuda nos terreiros. Sem influências negativas, o paciente fica mais fortalecido para enfrentar o que tiver que ser feito num tratamento médico. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa do professor Fábio Lima, antropólogo da Universidade Federal da Bahia.
"O candomblé é um parceiro da medicina. Da mesma forma que é o espiritismo, que é o catolicismo. Mas o que difere nos terreiros de candomblé é que o tratamento é muito mais efetivo porque se dá de modo afetivo. Então, as mães de santo e os pais de santo acolhem essas pessoas acometidas de qualquer problema de saúde de modo muito mais amoroso", disse Fábio Lima.
"Saio mais disposta. Esse tratamento no candomblé funciona. Se você tiver fé, funciona. Eu tenho fé. Mas não vou deixar o tratamento médico não. Tem que continuar”, afirmou Luciene Santana, empregada doméstica.
Quem vê João Pedro não imagina o que ele já passou. A mãe teve toxoplasmose no final da gravidez. O filho foi salvo na maternidade à base de antibióticos e corticóides. Mas num caso assim, dificilmente a criança escapa de lesões no cérebro e graves problemas de visão.
"E o candomblé ajudou muito. E minha fé também. Porque não adianta você estar numa religião e não acreditar. Eu acreditei muito, tive muita força do meu esposo, que me dava força, e de meu pai Elson, principalmente", contou Heloísa Santos, professora de educação física.
O tratamento, nesse caso, foi todo com a mãe. E a infecção gravíssima do bebê desapareceu três meses depois do nascimento.
"O médico me disse semana passada que eu fiz uma consulta, Heloisa, ele teve realmente a infecção. Suspendeu todos os medicamentos dele, não precisa fazer o medicamento durante um ano. Está quase curado”, disse Heloisa.
É, é só olhar para o bebezão.
Em dia de festa no terreiro, o salão fica lotado. Quem pode, vem agradecer e reverenciar os orixás. Há quem precise cumprir determinadas obrigações. É o que Ranfly faz desde que se tornou um filho de santo.
Mas a maior autoridade da casa é de Pai Elson. Nada acontece nesse terreiro sem a autorização dos deuses africanos que ele incorpora.
"Essa dança é justamente os pontos de invocações a essas energias. A cada orixá nós temos um tipo de dança. Que é simbólico ao procedimento, como eles procederam, como eles agiram em sua época", revelou Pai Elson.
A herança dos orixás está à disposição de quem precisar de ajuda. E o caminho é o mesmo das outras correntes que buscam a cura no mundo espiritual.
"Em todos os momentos, em todos os locais, o cosmo faz essa conexão conosco. Mas a gente precisa ter confiança e fé. E se eu tenho confiança e fé em mim, eu tenho tudo o mais que está ao meu redor, então, eu conquisto sim", afirmou o babalorixá.

Reportagem exibida na Rede Globo por JOSÉ RAIMUNDO

5 de jun. de 2012

AGENDA CULTURAL



DOCUMENTÁRIO: ÁGUA DE MENINOS

Retratar costumes da sociedade soteropolitana ligados à feira livre, fazer uma retrospectiva dos últimos 50 anos do maior mercado a céu aberto da Bahia e conduzir o espectador numa narrativa histórica, revelando a luta do feirante em imagens. Estes são alguns objetivos do documentário Água de Meninos – A Feira do Cinema Novo, da cineasta e roteirista baiana Fabíola Aquino, que conta com participação especial do ator Antonio Pitanga. O lançamento do filme poderá ser conferido, gratuitamente, nos dias 11 de junho, no Cine Cena Unijorge, às 20h, e no dia 12 de junho (Dia dos Namorados), na própria Feira, em duas sessões: às 18h30 e às 20h.         

Com 52 minutos de duração, o filme conta a história das feiras em quatro tempos: a Feira de Água de Meninos, o Cinema Novo produzido na Feira, seu incêndio, em 1964, e o hoje, em São Joaquim.  Exibida com suas diversidades em cores fortes e marcantes, a Feira de São Joaquim e sua gente traz situações que remetem ao passado, embora estejamos em pleno século XXI. Essa vibração e efervescência contaminou a equipe de produção do documentário que, em meio a artigos de candomblé, barracas de artesanatos, carnes, frutas, verduras e uma infinidade de produtos, teve o cuidado de captar a essência da Feira, com depoimentos e entrevistas de diferentes personalidades.         

O documentário também retrata um “olhar feminino” sobre a feira livre. Além da diretora Fabíola Aquino, a equipe é composta por outras duas mulheres: Claudia Chavez (montagem), e Laura Bezerra (pesquisa). Essa conjunção reflete um resultado sensível desse olhar feminino. “Nos encanta, por exemplo, ver o sentimento das pessoas que entendem a Feira como uma grande mãe. Uma pessoa que chega à feira cedo, sem dinheiro algum, mas, na conversa, consegue ‘comprar fiado’. Essa mesma pessoa trabalha, revende os produtos, paga o que deve e ainda volta para casa com algum dinheiro. Essa é uma representação maternal de uma relação comercial que só se vê na feira livre”, define a diretora.  


Onde: Cine Cena Unijorge, no shopping Itaigara, às 20h (segunda-feira, 11 de junho); e Feira de São Joaquim, no Galpão Água de Meninos, às 18h30 e 20h (terça-feira, 12 de junho)          
Quando: dias 11 e 12 de junho 
Quanto: gratuito
Informações: www.aguademeninosdoc.blogspot.com

ORIGINALIDADE SURPREENDE


Candomblé no Pará ainda é original

Érika Morhy

Assim como as religiões cristãs, os cultos afro-brasileiros também reservam inúmeras diferenças e semelhanças entre si, construindo uma história no Pará que aos poucos começa a ser contada e sistematizada. Pela primeira vez o Candomblé é posto na berlinda enquanto projeto de pesquisa e deverá se transfigurar em livro no próximo ano, com o término da pesquisa iniciada em 2000 pela cientista social Marilú Márcia Campelo.

Doutora em Antropologia, Marilú já chegou a lançar uma obra sobre a Umbanda no Rio de Janeiro. Em Belém, as referências eram Napoleão Figueiredo e Anaíza Vergolino. "Me surpreendi em saber que aqui não tinha só Mina e que o Candomblé, tipicamente baiano, ainda estava por ser estudado. Por isso também meu interesse", justifica Marilú.

A primeira etapa de trabalho já se encerrou. Ela descobriu a localização dos terreiros, os municípios e bairros em que se concentra o maior número deles, as principais lideranças e a história dos adeptos que realizam festas e rituais afro-brasileiros, selecionando o Candomblé como área de estudo, paralelamente ao trabalho de Taíssa Taverna, que optou pela Mina. A previsão é que a segunda fase seja concluída até setembro de 2004, definindo um perfil do sincretismo entre as duas religiões, o que preservam como tradição e o que introduzem como inovação na sua estrutura.

Segundo Marilú, a Federação Espírita de Umbanda e Cultos Afro-brasileiros, seção Pará, registra uma média de 1.600 terreiros na Grande Belém e Castanhal. "Precisamos confirmar se todos estão em funcionamento e também temos de considerar que existe a subnotificação", pondera. Desse total, cerca de 600 casas são de Mina, em menos de 100 se pratica Candomblé e as demais são umbandistas, que têm predominância na região. Ela diz que os números são pequenos, se comparados com algumas das principais capitais do país, como Recife, Salvador e Rio de Janeiro, mas ultrapassam os de São Luiz - "até porque a população de lá é menor".

 O paralelo com a capital maranhense é constante e tem lá suas razões históricas, retroativas à colonização que reuniu Pará e Maranhão numa única província. A migração populacional entre os dois estados ainda hoje é grande e abre espaço para que se reivindique a paternidade da Mina no Pará aos vizinhos. "Mas temos de considerar que aqui também há presença africana, uma concentração de 220 comunidades quilombolas. É uma população que descende não só da África ocidental, mas também de povos mais antigos do centro sul", adverte Marilú. No entanto, as populações afro que se estabeleceram na zona rural, segundo ela, são católicos. A Umbanda, a Mina e o Candomblé são cultos urbanos. Foi na cidade que puderam se organizar e formar comunidades que, na época, eram as próprias irmandades religiosas, como as de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Irmandade de São Benedito e de Santa Bárbara.

A origem dos grupos que se estabeleceram na região e o modo de organização deles também determinam as especificidades de cada culto. A Mina, por exemplo, é característica do Maranhão, Pará e Amazonas e está ligada à presença dos escravos vindos da costa ocidental africana, mais propriamente aos povos de língua fon. Já o Candomblé tem na sua genealogia os povos iorubás, do país que hoje se conhece por Nigéria.

Ao contrário do que acontece no Maranhão, no Pará não há município específico onde se identifica maior número de terreiros nem de casas matrizes de iniciação, o que também ocorre em Salvador e Rio de Janeiro. "E talvez essa seja uma das grandes dificuldades dos pesquisadores da área que, aqui, vão precisar bater de porta em porta. A única referência para se obter informações mais amplas é a federação", revela Marilú. Ela acredita que a falta de uma casa de raiz e mesmo de pessoas que sejam referência na disseminação do culto na região se dá pela sua recente difusão na cidade. "É do final da década de 70, quando Astianax foi iniciado no Candomblé, na Bahia, e voltou com o culto para Belém. Isso motivou outros adeptos a irem procurar uma casa matriz em Salvador, abrindo novos terreiros aqui. Ele é a única referência, e morreu este ano. Nos outros estados, o grande momento de organização do culto se deu a partir do século XIX", conta Marilú.

As casas vão se abrindo principalmente em bairros de periferia e a Pedreira, apesar de já estar mais urbanizada, ainda mantém a tradição, seguida do Jurunas, Guamá, Benguí e Maguari, num movimento liderado principalmente por homens. Para a coordenadora do Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileira, seção Pará, Mametu Nangetu, que mora no bairro do Marco e tem um terreiro no mesmo endereço, é difícil manter uma casa de Candomblé no centro da cidade, "porque temos árvores sagradas que acabam tendo de ser podadas para não incomodar a vizinhança; porque os clientes são constrangidos com os comentários jocosos dos moradores da redondeza; porque temos de limitar nossos batuques, para não criarmos desavenças na área. Sei dos direitos dessas pessoas, mas por que as igrejas continuam com som alto, outras fazem procissões nas ruas e eu não posso praticar o ritual que escolhi do jeito que deve ser?", reclama. Ela também acredita que houve avanços e a novidade deste ano foi a oficialização do Dia Municipal da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros. Os adeptos escolheram o 12 de março por acreditarem ter sido a data do primeiro batuque no formato da Mina maranhense na cidade, quando Mãe Doca fez a festa à Dom José.

 Marilú garante que o conflito entre adeptos de diferentes religiões é um dos motivos para a visibilidade mais acanhada de terreiros de Belém. "Você só os encontra nos movimentos organizados ou em eventos como os da consciência negra, porque eles têm o cuidado de não expor seus símbolos em função do preconceito, forte na cidade se compararmos com São Paulo, Rio e Cuiabá, por exemplo. Mas os candomblezistas ainda se apresentam mais que os mineiros". Ela define a postura dos grupos como projeto político e lembra que a notoriedade do trabalho de Pierre Vergé só foi possível pela aquiescência dos adeptos. E os símbolos migraram tanto, acrescenta, que a prática já é comum na Alemanha, Portugal, EUA, Argentina e Uruguai, levada por brasileiros e que já iniciaram filhos de santos por lá.

O número de adeptos ainda não foi mensurado. Segundo Marilú, a Fundação Palmares ainda não pode liberar os dados do censo realizado em 2001 e 2002 nas principais capitais do país, incluindo Belém. Mas é indiscutível que muitas pessoas conciliam a prática de diferentes religiões, num sincretismo que também se expressa de duas maneiras na estrutura dos próprios cultos. Como explica Marilú, um se dá entre o catolicismo e os afro-descendentes. “Dia 4 de dezembro, pa ra o Catolicismo é dia de Santa Bárbara. Para o Candomblé, do orixá Yansan. Para a Mina, de Bárbara Soaeira”. E o outro, entre os próprios cultos afro-descendentes. “Você vai encontrar terreiro de Mina falando em voduns e orixás também. E no de Candomblé, em caboclos”, exemplifica. Esta categoria de sincretismo foi a que motivou o projeto "Tradição e inovação: um estudo sobre a Mina e o Candomblé na Amazônia". Ela diz que, até agora, não encontrou especificidades basilares no Candomblé paraense, como já acontece com a Mina, por isso mesmo chamada no estado de Mina-Nagô. "Por enquanto, eles praticam como aprenderam na fonte, a forma de cultuar os santos, de se vestir, de cantar... apesar de que a pronúncia, a entonação e a velocidade diferem".

Batuques - A antropóloga Anaíza Vergolino dedicou toda sua carreira acadêmica, de quase três décadas, na UFPA, à pesquisa de religiões afro, que ela considera ser o único nível associativo cultural que resiste até hoje. Ela identificou e publicou documentações inéditas sobre os escravos do século XVIII; sistematizou atributos mais vinculados aos cultos afro na região; e registrou a musicalidade da Umbanda e Mina-Nagô encontrada na região, numa ação que resgata pesquisas da década de 50 realizadas por Mário de Andrade. Essa linha resultou na chegada de dois CD´s ao mercado, com o selo "A música e o Pará", patrocinados pelo Governo do Estado: "A música de culto afro-brasileiro na Amazônia" e o duplo recém-lançado "Ponto de santo". Os dois têm encarte documental, reproduzindo parte das pesquisas de Anaíza, fotos dos terreiros, partituras e a letra das toadas.

"É importante para eles o resgate dessa memória. Mas também é muito clara pra mim a distinção que eles fazem entre fundamento, que é o conteúdo doutrinário deles, repassado de forma oral, e conhecimento, que é o tipo de trabalho de pesquisa que eu faço. E, além disso, todos esses trabalhos, inclusive o do professor Vicente Salles, que se dedica mais à inserção social do negro, vêm nos mostrar que essa presença africana aqui no Pará não foi tão pequena como se pensava; foi muito maior do que a história havia contado", ensina.

ESPECIALIDADE DA CASA



Restaurante Clandestino tem menu especial inspirado no Candomblé
Claudia Lima,
Do UOL, em São Paulo

Os orixás do Candomblé, suas cores e sabores são o tema dos jantares da nova temporada do Clandestino. Anexo do restaurante Dui, é ali que a chef Bel Coelho faz suas criações mais ousadas.

Chef faz jantar especial em homenagem aos orixás do Candomblé

A salada de ervas e brotos com granizado de hortelã serve para "limpar" o paladar e reverencia Ossaim, deus das ervas
O menu reverencia com propriedade a tradição da cozinha africana e -por que não dizer- brasileira. São 13 pratos, cada um deles homenageando um orixá seja através de suas comidas típicas, ou das cores que os representam.

A ideia do cardápio surgiu através da irmã da chef, pesquisadora das danças desta religião. "Comecei a me interessar por este universo e pelas histórias e pensei que isso poderia virar um menu". conta Bel, que se sentiu à vontade para fazer uma interpretação destes pratos. "No início, minha maior dificuldade foi ser totalmente fiel à comida de santo, mas no final, me inspirei também nas cores e na mitologia", completa.

Assim, pratos já conhecidos chegam à mesa em nova roupagem, em forma de espumas, caldos e esferas. Caso do acarajé, prato oferecido à Iansã (deusa dos ventos) e Obá (deusa das guerras), líquido, acompanhado de caldo de vatapá, farofa de camarão seco e vinagrete, ou do caruru (prato de Cosme e Damião ou Ibejis),  camarão grelhado com molho de amendoim e castanha de caju, quiabo grelhado e uma cápsula de azeite de dendê.

Oxalá tem sua cor, o branco, representada no prato pela vieira grelhada, mil folhas de palmito pupunha com cogumelos e espuma de inhame. Iemanjá, a rainha do mar, é homenageada com robalo grelhado com pérolas de leite de coco, capim santo e areia de coco.

A refeição é finalizada com um prato para Oxum, deusa da riqueza e do ouro, na sobremesa feita com ovos moles, sorvete de gema, banana ouro, melaço de cana e caramelo de coco e gengibre.

O Clandestino funciona apenas às quintas-feiras e é necessário fazer reservas, já que há apenas  20 lugares. O menu custa R$ 195 e fica em cartaz até o final de 2012.

Serviço:
Clandestino no Dui
Al. Franca, 1590
Tel.(11) 26497953

21 de mai. de 2012

''TERRAS NACIONAIS'' É SUA???


DIREITOS HUMANOS


Mano Brown: a luta do Brasil é a distribuição de terra
Details Published on Monday, 21 May 2012 16:07
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Da Página do MST





O MC Mano Brown, do Racionais MCs, visitou um edifício ocupado por trabalhadores sem-teto, no número 360 da rua Mauá, no centro de São Paulo, para a gravação do clipe Marighella, na quinta-feira (17/5).

Em discurso à comunidade, Brown disse o problema do país é a distribuição de terra e a garantia de moradia.

"A luta do Brasil é a distribuição de terra. Só que muitos deles que falam da distribuição de terra são latifundiários também. Tem muita terra improdutiva lá. Por que eles são herdeiros dos caras que tinham muita terra. E eles não dividem terra com ninguém", falou Brown.

O MC do Racionais atacou o candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, o atual prefeito Gilberto Kassab e o governador do estado Gerando Alckmin.

"O problema do Brasil é moradia. Se a gente tiver espaço, um quntal razoável, pros nossos filhos poderem correr, crescer com saúde... (...). Só queremos espaço pra viver - nem melhor nem pior, mas igual", defendeu.

Abaixo, ouça o discurso de Mano Brown


Abaixo, ouça a música Marighella, em homenagem ao militante comunista que faria 100 anos em 5 de dezembro de 2011, que teve uma militância política de mais de 30 anos nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e atuou na guerrilha urbana, quando foi assassinado pela ditadura em 1969:



5 de mai. de 2012

A ARTE EM TRÊS LAGOAS


A Câmara Municipal, em parceria com o ator e promotor cultural Mateus Alves, promove, de 7 a 11 de maio, a exposição "Toque Afro", mostra que relata a presença do negro na cultura brasileira. A abertura da exposição será às 9h, no Salão de Eventos da Câmara, e contará com apresentações culturais alusivas ao tema e homenagem a diversas personalidades negras que se destacam em Três Lagoas. Os preparativos e montagens no Salão de Eventos foram inciados durante essa semana.
No dia 7, às 19h, o evento ainda terá uma palestra sobre a condição do afro-descendente brasileiro, com a professora-doutora Raimunda Luzia de Brito, coordenadora especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial da Assembleia Legislativa. A palestra é aberta ao público em geral, sobretudo estudantes.
A exposição trará objetos do acervo pessoal do curador, Mateus Alves, que reuniu equipamentos de uso no trabalho, no cotidiano e até de tortura de escravos. "Nosso relato começa desde a vinda dos negros para o Brasil até as influências que deixaram nas artes, esportes, no dia-a-dia e na culinária", afirma Mateus.
Entre os homenageados estarão o ex-prefeito José Lopes; a líder comunitária Daura do Nascimento; o diácono Jorge Silva; o violeiro e pedreiro Alcir Batista de Oliveira; o professor de educação física Milton José da Silva, o Tó; a professora Wilma Rodrigues de Souza; o atleta Messias Carneiro Dias; o músico Éderson Veloso da Silva; o professor de música Gercino Francisco; o policial federal, poeta e colunista René Venâncio; o ex-vereador Antônio Rialino; a professora e carnavalesca Inozemar; os jornalista Ana Cristina Santos e Adilson Silva; e o professor de futebol Pedro Machado, o Pedrinho.
Segundo o presidente da Câmara, vereador Nuna Viana, a exposição "Toque Afro" tem o objetivo de apresentar ao público três-lagoense um rápido panorama da presença do negro na cultura. "Temos que ressaltar e prestigiar a importância do negro na formação do Brasil. Esta exposição nos mostra objetos e situações que estão na nossa vida e, muitas vezes, não sabemos que foi uma influência dos negros. É um resgate histórico e um reconhecimento à relevância dos negros", afirmou Nuna.
O vereador lembrou que a Câmara Municipal pretende realizar diversas exposições, ao longo de 2012, maximizando a utilização do Salão de Eventos, que é, de acordo com ele, um espaço para uso da comunidade. Em março, o local sediou a exposição fotográfica "Cidade das Águas", sobre recursos hídricos em Três Lagoas, com a visitação de cerca de mil pessoas.